quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Enrolação

A Petrobrás, através de seu diretor de produção para a região RN/CE, divulgou, durante reunião do Fórum Estadual de Crescimento com Qualidade, realizado segunda-feira última, resultado de estudo de viabilidade feito pela empresa MSW. Segundo este, a produção de PVC no Rio Grande do Norte é economicamente inviável, com previsão de prejuízos da ordem de 74% dos recursos eventualmente investidos. Estavam presentes ao encontro, além da governadora Wilma de Faria, o secretário estadual de Planejamento, Vágner Araújo.

Como é do conhecimento de todos, em decorrência da perda da refinaria de petróleo para o Estado de Pernambuco, o Rio Grande do Norte pressionou a estatal petrolífera por investimentos que, de alguma forma, viessem a minimizar o prejuízo causado por aquela decisão. Em contrapartida, a estatal prometeu aumentar os investimentos no Estado, além de construir uma planta de produção de PVC no município de Guamaré, onde é concentrada toda a produção potiguar de petróleo e de gás natural e que também já posssui uma planta de produção de querosene de aviação.

Passados quatro anos do anúncio da decisão, a Petrobrás vem a público declarar a "inviabilidade" da construção da planta prometida. Em troca, oferece a realização de um novo restudo de viabilidade, desta vez visando a possível implantação de um pólo petroquímico.

Que o Rio Grande do Norte reune as melhores condições técnicas para a implantação de qualquer empreendimento no setor petroquímico não é novidade alguma. O Estado é o segundo do país em produção de petróleo, exportando gás natural para os estados vizinhos, sendo que grande parte desse gás ainda não é aproveitada, sendo ensinerada nos próprios poços, como medida de prevenção contra acidentes. Além disso, possui localização estratégica, devido a sua proximidade da Europa (facilidade/baixo custo de exportação).

A região de Mossoró, princal produtora, ainda conta com vastas reservas de calcário de excelente qualidade, praticamente inexploradas (existe apenas uma unidade fabril de cimento, que não faz uso do gás natural na sua produção, com previsão de instalação de mais duas -Grupo Votorantin e Tupy ), além de possuir a maior indústria salineira do país, fonte de um sem número de produtos derivados que servem de base a diversos setores da indústria (alimentícia, limpeza, adubos, plásticos, etc.).

Com todo esse potencial, a região há muito já deveria ser um pólo petroquímico de influência nacional. E só agora é que a petrobrás toma conhecimento disso?

Tudo mera enrolação. Como toda decisão tomada nesse país a única coisa a ser levada em conta é o interesse eleitoreiro, a possibilidade de angariar mais votos na próxima eleição. Os interesses do país ficam em último plano. O Brasil não possui um projeto de nação. Os governantes somente governam pensando nos quatro anos de mandato, reeleição e ascenção política pessoal. Meu pirão primeiro, cada macaco no seu galho... e por aí vai. Infelizmente esse é o pensamento do brasileiro.

Sendo assim, a refinaria ficou com Pernambuco, contrariando toda a lógica: região produtora (pernambuco não produz uma gota de petróleo), melhores condições técnicas, maior economia pela desnecessidade de frete, diminuição de desigualdades regionais pela desconcentração de investimentos, etc....

Não venha me dizer o presidente Lula que a decisão se deu somente porque Hugo Chaves é simpatizante de Abreu e Lima. Essa é boa.

Pois bem, passaram-nos para trás uma vez e agora estão querendo fazer o mesmo. O Rio Grande do Norte há anos vem sendo espoliado de suas requezas pela petrobrás, que não deixa quase nada em troca (os royalties são insignificantes em comparação aos lucros auferidos pela estatal).

Isso tudo é vergunhoso. Mas uma vez a Constituição, coitada, foi jogada na lama. Olvidaram um dos objetivos fundamentais da República, previsto no art. 3°, III, que é o de diminuir com as desigualdades regionais. Tudo em prol de pretensões político-eleitoreiras (O RN é insignificante, politicamente, no contexto nacional).

Com políticos que agem dessa forma, como queremos que o Brasil seja diferente? Absurto sem paralelo. Cada vez pior.